As vozes de funcionárias de escolas estaduais paulistas: (trans)formação, (re)construção identitária e atuação no espaço escolar.

Resumo

Esta tese de doutorado, desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, vinculada à Linha de Pesquisa 4 “Formação dos profissionais da educação, políticas educativas e escola pública”, tem como tema a formação profissional das funcionárias da educação e como objeto de estudo a percepção delas a respeito das reverberações de seu processo formativo. Dessa forma, foi definido como objetivo compreender os reflexos e as contribuições da formação inicial em serviço das funcionárias das secretarias das escolas estaduais paulistas, que concluíram o curso Técnico em Secretaria Escolar, para a (re)construção de sua identidade, profissional e social, e para sua atuação no espaço escolar. Como objetivos específicos foram definidos: discutir os processos objetivos e subjetivos relacionados à construção da identidade profissional e social; compreender a proposta de formação presente no currículo do curso Técnico em Secretaria Escolar ofertado pelo Campus Boituva do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo; abordar a legislação sobre as funcionárias da educação na estrutura da Secretaria da Educação do estado de São Paulo; verificar e discutir os reflexos da formação das funcionárias sobre a (re)construção de sua identidade profissional e social; e averiguar as contribuições da formação profissional para novas práticas no espaço escolar. Esta investigação, de abordagem qualitativa, foi desenvolvida às luzes do campo epistemológico da fenomenologia, tendo a pesquisa (auto)biográfica como método e fonte de pesquisa. A entrevista narrativa, nos moldes descritos por Sandra Jovchelovitch e Martin W. Bauer (2008), foi a ferramenta utilizada para ouvir as funcionárias e a análise compreensiva-interpretativa de Elizeu Clementino de Souza (2004; 2014) para a interpretação das narrativas. A discussão sobre os mecanismos da construção das identidades profissional e social foi assentada nos estudos de Claude Dubar (1998; 2005; 2009) e Peter L. Berger e Thomas Luckmann (2004). A análise da proposta curricular do curso técnico baseou-se em teóricos do currículo como Michael W. Apple (2008), José Gimeno Sacristán (2013), Tomaz Tadeu Silva (2010) e Michael Young (2013; 2014a; 2014b;). Também são analisados os documentos “Por uma política de valorização dos trabalhadores em educação – Em cena, os funcionários de escola” e o caderno de Orientações Gerais do Profuncionário. Além disso, foi realizado um estudo sobre o histórico legal das funcionárias da educação na estrutura da educação do estado de São Paulo. As entrevistas foram realizadas com seis funcionárias e a partir das narrativas emergiram nove unidades de análise: Experiência da formação; Reflexos da formação: novas práticas no espaço escolar; Conceito de educação; Identidade para si; Identidade para o outro; Utilização do termo “tia”; Clima escolar; Relações interpessoais; e Crítica ao Estado. O desenvolvimento desta pesquisa está estruturado para defender a seguinte tese: “O curso Técnico em Secretaria Escolar contribuiu para a (trans)formação das funcionárias da educação sobre a percepção de si mesmas, para a (re)construção de sua identidade profissional e para o aperfeiçoamento de sua atuação no espaço escolar. No entanto, a identidade gerada é imprecisa, pois, ainda que no âmbito subjetivo elas se apropriem da identidade de educadora, socialmente elas não se sentem reconhecidas pela totalidade dos membros da comunidade escolar”.


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